Nesta seção, o cliente pergunta e os
pesquisadores da Embrapa respondem. Orientações técnicas sobre
os mais diversos procedimentos da atividade leiteira.
Nesse caso, a questão principal é avaliar se, do ponto de vista do custo, vale a pena utilizar o resíduo de cervejaria. O pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Fermino Deresz diz que para aferir o custo deve-se obter o teor de Matéria Seca do resíduo.
Assim, se o teor de Matéria Seca for de 25%, multiplica-se R$ 170,00 (que é quanto custa o produto entregue na fazenda de Cristian Morás) por quatro. O resultado (170 X 4) é igual a R$680,00 a tonelada ou R$68,00 o quilo de cevada úmida. Já que o preço do concentrado utilizado por Morás é R$0,55 o quilo, não é interessante, economicamente, utilizar o resíduo. Deresz afirma ainda que, quando for viável do ponto de vista econômico, a cevada úmida não deve representar mais do que 20% da Matéria Seca da dieta para não reduzir a produção de leite.
Pesquisadores da Embrapa Gado de Leite afirmam que seria um desperdício misturar o colostro no cocho, com capim e farelo. O colostro é muito rico em proteínas e deve ser fornecido aos bezerros. Embora cerca de 36 horas depois do parto a qualidade do colostro diminua e o bezerro perca a capacidade de aproveitar suas características imunológicas, ele continua sendo um alimento importante, pois protege o ambiente ruminal do bezerro.
No entanto, a capacidade de consumo do bezerro é apenas quatro litros do alimento por dia, enquanto uma vaca pode produzir até 56 litros diários. O que fazer com o excedente? Estocar é a resposta. O alimento pode ser guardado no freezer e fornecido para os bezerros posteriormente. Há ainda a possibilidade de fazer a “silagem de colostro”. Essa foi uma tecnologia desenvolvida pela Emater de Pelotas (pelotas@emater.tche.br), no Rio Grande do Sul.
A tecnologia parte do processo de ensilagem anaeróbica para preservar a qualidade do material não consumido. O produto deve ser guardado em garrafas pet limpas e bem tampadas por 21 dias em local coberto. Durante esse tempo, o líquido fermenta, liberando ácido láctico, responsável por conservar naturalmente as propriedades do produto. Passado essa fase, o material é servido para os bezerros, diluído em água. Para mais informações ligue para a Emater (53) 3225-7700.
Com relação à segunda pergunta do leitor, só existe um tipo de sulfato de amônio, não havendo um produto específico para a agropecuária. Esse sulfato pode ser usado na pecuária sem problemas.
Juros e câmbio são duas variáveis que caminham juntas. Em geral, quando os juros sobem, o Real se fortalece frente ao dólar. O contrário também é verdadeiro: juros baixos, dólar em alta. Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Leite, Glauco Carvalho, os juros altos aumentam a entrada de capital externo na economia, levando à valorização da moeda nacional. Com relação ao agronegócio, a dupla juros/câmbio provoca dois
efeitos principais: 1 - Os juros altos encarecem o crédito e penaliza o consumo. Em conseqüência, os preços agrícolas perdem força. Além disso, juros mais elevados freiam os projetos de investimento. 2 – Quando os juros estão elevados, o Real se fortalece e a rentabilidade de quem exporta cai, já que serão necessários mais dólares para comprar a mesma
quantidade de Reais. Ainda a respeito da exportação, os preços de vários produtos agrícolas (commodities) são cotados em dólares. A valorização do Real torna nossos produtos mais caros no mercado externo, prejudicando sua competitividade. “Ainda que alguns insumos estejam atrelados ao dólar, o produto tem a sua cotação quase total feita nessa
moeda, assim quando o Real se desvaloriza frente ao dólar os benefícios para o agronegócio são maiores que os custos, sendo o contrário também verdadeiro”, explica Carvalho.
”Podemos dizer que juros mais altos limitam a demanda. Além disso, tendem a fortalecer o Real frente ao Dólar e atenuar alta de preços agrícola, prejudicando a competitividade e rentabilidade dos produtos agrícolas, seja no mercado interno, seja na exportação”, resume Carvalho.