Embrapa Gado de Leite
Sistema de Produção, 7
Alimentação

Maurílio José Alvim
Domingos Sávio Campos Paciullo

Margarida Mesquita de Carvalho

Luiz Januário Magalhães Aroeira
Limirio de Almeida Carvalho

Luciano Pato Novaes

Aloísio Teixeira Gomes

João Eustáquio Cabral de Miranda

Antônio Cândido Cerqueira Leite Ribeiro 

- Introdução
Importância econômica
- Aspectos agro e   zooecológicos
- Raças, características e exigências ecológicas
-
Instalações
- Alimentação
- Reprodução
- Manejo produtivo
- Mercados e   Comercialização
- Coeficientes técnicos
-
Referências bibliográficas
- Glossário
- Editores

- Expediente



 

Alimentação


O leite produzido por uma vaca leiteira é considerado como um subproduto de sua função reprodutiva e ambos são dependentes de uma dieta controlada. Desta dieta, os bovinos utilizam nutrientes para mantença, crescimento, reprodução e produção, quer seja na forma de leite ou carne. Manter uma alimentação adequada é de fundamental importância tanto do ponto de vista nutricional quanto econômico. Em um sistema de produção de leite a alimentação do rebanho tem um custo efetivo representativo. Considerando o custo de produção de leite, a alimentação representa de 40 a 60%, podendo atingir percentual mais elevado.

Como ruminante, a vaca de leite é capaz de transformar alimentos não essenciais aos não ruminantes (forragens e forrageiras), em produtos de valor econômico. Entretanto, a medida que se busca maior produtividade por animal, os volumosos (pasto, silagem e feno) por si só, não são suficientes para manter esta maior produtividade. Neste caso, além de volumosos, alimentação do gado de leite deve ser acrescida de uma mistura de concentrados, minerais e algumas vitaminas.

Um sistema de alimentação eficaz é baseado nos requerimentos nutricionais (proteina, energia, minerais e vitaminas) para cada categoria animal do rebanho e na composição química dos alimentos utilizados. Na prática, para realizar a combinação dos requerimentos nutricionais de cada categoria animal com a com a composição química dos alimentos, utilizam-se de dados de tabelas (NRC- National Research Council, ou ARC- Agricultural Research Council e Tabela Brasileira de  Alimentos).

Bezerros

Alimentação

Aleitamento 

Fornecimento de concentrado   

Fornecimento de volumoso

Fornecimento de água

Desaleite ou desmame os bezerros

Novilhas

Alimentação

Recria em pastagens arborizadas

Recria_em_confinamento

Água

Monitore o crescimento das novilhas

Vacas em lactação

Alimentação

Alimentação_no_terço_inicial_da_lactação

Fornecimento de concentrado

Dieta_completa

Forneça_mistura_mineral

Forneça água limpa e de boa qualidade

Alimentação_no_terço_médio_da_lactação

Alimentação_no_terço_final_da_lactação

Alimentação_no_período_seco

Touros

Alimentação

 

Alimentação de bezerros

Ao nascer, o bezerro é um monogástrico com o estômago apresentando características diferentes do ruminante adulto, não sendo capaz de utilizar alimentos sólidos, tem reflexo para mamar e tem todas as condições fisiológicas e bioquímicas para utilizar o leite. Sob condições normais de alimentação e manejo, em sessenta a noventa dias este bezerro se transforma em ruminante com habilidade para sobreviver com alimentos volumosos e concentrados, com o rúmen-retículo apresentando atividade microbiana relevante, desenvolvimento de  papilas em suas paredes e capacidade de absorção de nutrientes pelas paredes do rúmen-retículo.

Aleitamento

A fase de aleitamento pode ser natural ou artificial. No aleitamento natural o bezerro obtém o leite mamando diretamente no úbere da vaca. Este sistema deve ser adotado em propriedades cujo plantel é formado por rebanhos puros ou de alto grau de sangue das raças zebuínas, onde é comum as vacas “esconderem o leite” na ausência do bezerro, quando ordenhadas. Outras condições são a produtividade média diária de leite por vaca inferior a 8 kg  e mão-de-obra ineficiente quanto à higiene necessária para se aleitar bezerros artificialmente.

O aleitamento artificial consiste em fornecer a dieta líquida em balde, mamadeira ou similar. Este sistema permite racionalizar o manejo dos animais, ordenhar com mais higiene e controlar a quantidade de leite ingerida pelo bezerro.

Em ambos os tipos de aleitamento, o importante é fornecer colostro o mais rápido possível, pois esta é forma de garantir a sobrevivência do bezerro nas primeiras semanas após o nascimento, fornecendo os anticorpos. A maneira mais eficiente é fazer o bezerro mamar o colostro na vaca logo após o nascimento.  Quando fornecido no balde, usar o colostro integral, permitindo a ingestão de 5 a 6 kg de colostro;

2. Na fase de aleitamento, o alimento natural do bezerro é o leite integral que por seu valor comercial pode ser substituído pelo colostro excedente ou utilizar um sucedâneo comercial do leite, normalmente vendido na forma de pó;

3. Fornecer 4 l/animal/dia qualquer que seja a dieta líquida utilizada, que deverá ser fornecida em duas refeições diárias durante a primeira semana de vida do animal. A partir daí, uma vez ao dia, de manhã ou a tarde conforme mais conveniente para o produtor;

4. Quantidade fornecida, regularidade no horário e na temperatura da dieta líquida são muito importantes para evitar distúrbios gastrointestinais

Desmama ou desaleitamento precoce

Destina-se a transformar o bezerro de monogástrico em ruminante o mais cedo possível

Fornecimento de concentrado

O concentrado inicial a ser fornecido aos bezerros do nascimento até os 60 ou 70 dias de idade, independente do sistema de aleitamento utilizado, deve ter na sua composição alimentos considerados de excelente qualidade, como grãos de milho, raspa de mandioca, farelo de soja, farelo de algodão e misturas minerais e vitamínicas (Instrução Técnica para o Produtor de Leite - Sistemas de Alimentação nº 39. Opções de concentrados para para bezerros até os 360 dias de idade).

Concentrados contendo grãos que sofreram tratamento térmico e/ou vapor, e aqueles na forma de pellets, aumentam a digestibilidade e estimulam seu consumo precoce.

A partir dos 70 dias, pode-se utilizar concentrados de menor custo. Muito embora alguns estudos demonstrem ser viável a utilização de uréia nos concentrados iniciais para bezerros, recomenda-se o seu uso somente após os três meses de idade, quando o rúmen estará desenvolvido o suficiente para utilizar o nitrogênio não protéico da dieta.

Após o desaleitamento, o consumo de concentrado aumentará rapidamente, devendo-se limitar a quantidade fornecida para estimular o consumo de volumoso. Tem-se sugerido o fornecimento de 1 a 2 kg de concentrado com 12% de proteína bruta e 66% de nutrientes digestíveis totais - NDT, dependendo da qualidade do alimento volumoso utilizado.

É importante verificar a condição do concentrado que sobrou, que se  molhado ou mofado, remova-o; se seco e em boas condições, deixe-o.

Fornecimento de volumoso

Os alimentos volumosos são muito importantes para o desenvolvimento fisiológico, do tamanho e da musculatura do rúmen, principalmente para os dois últimos. Um bom volumoso, feno ou verde picado, deve ser fornecido desde a segunda semana de idade. Em escala de importância, para bezerros, antes dos três meses de idade, bons fenos são melhores que bons alimentos verdes picados, que, por sua vez, são melhores que boas silagens. Esta é uma recomen­dação de ordem geral, já que a qualidade do alimento é extremamente importante na determinação do consumo. Antes dos três meses de idade, o uso de alimentos fermentados, como silagens, não é recomendado, uma vez que o consumo será insuficiente para promover o desenvolvimento do rúmen e o crescimento do animal.

Fornecimento de água

A água disponível deve estar limpa e fresca. Se forem usados baldes para dar de beber aos animais, a água deve ser renovada diariamente.

Recomenda-se que os bezerros tenham, à sua disposição, desde a primeira semana de idade, água fresca e limpa, porque há evidências de maior consumo de concentrado pelos animais assim manejados.

Desaleite ou desmame os bezerros

As maiores vantagens da desmama ou do desaleitamento precoce são as reduções no custo da alimentação, da mão-de-obra e não ocorrência de distúrbios gastrointestinais. Quando o bezerro estiver consumindo 600 a 800 g de concentrado por dia, de maneira consistente, ele estará pronto para ser desaleitado ou desmamado, independente de sua idade, tamanho ou peso.

Independente do sistema de criação adotado, não há razão, sob o ponto de vista do bezerro, do fornecimento da dieta líquida ser superior a oito semanas. Recomenda-se o desaleitamento abrupto, não sendo necessária a redução gradativa da quantidade de leite oferecida para os bezerros, prática trabalhosa, principalmente à medida que aumenta o número de bezerros.

Os bezerros devem permanecer na sua instalação por mais duas semanas, após o corte da dieta líquida, recebendo água e alimentos sólidos. Assim, eles perderão o hábito da dieta líquida com menor estresse, e será possível observar como eles reagiram à desmama ou desaleitamento.  Outro fator de importância é a não ocorrência de estresse por competição, se mudados imediatamente após a desmama,  para instalações coletivas (baias ou pasto) .

Importante: observe o bezerro, cuidadosamente, todos os dias

. verifique o olhar do bezerro:

   olhar vivo significa saúde;

. verifique a existência de corrimento nasal:

   o desejável é não haver corrimento nasal;

. verifique a consistência das fezes:

   as fezes devem estar sólidas;

. verifique o apetite dos bezerros.

   bezerros sadios bebem a dieta líquida com avidez,  e não descuide da Sanidade ( Embrapa – Instrução Técnica para o Produtor de Leite: Qualidade do Leite e Segurança Alimentar nº 2. Cuidados sanitários na criação de bezerros).

Pese o bezerro ao nascer e desaleitamento ou desmama. Calcule o ganho de peso médio diário

Cálculo do ganho de peso médio diário (GPMD)

GPMD (kg/dia) = (peso ao desaleitamento - peso ao nascimento) ÷ número de dias entre o desaleitamento e o nascimento

Observação: O ganho de peso médio diário deve ser superior a 0,350 kg por dia.

Anote, na ficha individual do bezerro, os pesos e quaisquer problemas ocorridos com o bezerro

Alimentação de Novilhas

A fase de recria  inicia-se após o desmame estendendo-se até a primeira cobrição. É menos complexa do que a fase de cria, porém requer muita atenção do produtor, pois os requerimentos do animal em crescimento estão constantemente mudando, em função de alterações na composição de seu corpo. A medida que a idade do animal vai avançando, reduz-se a taxa de formação de ossos e proteína , com o aumento acentuado na deposição de gordura. Do início desta fase, dos 80 - 90 kg de peso vivo até a puberdade, o monitoramento do   ganho de peso diário é fundamental,  não devendo ultrapassar 900  g por dia. Este procedimento, evita a má formação da glândula mamária (acúmulo de gordura e menor quantidade de tecido secretor de leite) resultando em menor produção de leite durante a primeira lactação.

A idade à primeira cobrição determinará a alimentação das novilhas nesta fase. Idades à primeira cobrição mais precoces (15 -16 meses)  exigirão planos mais elevados de alimentação mais do aqueles para idades mais avançadas para a primeira cobrição (24 -26 meses).

A puberdade ou a idade ao primeiro cio é reflexo da idade fisiológica (tamanho ou peso) e não da idade cronológica da novilha. Deste modo, o plano de alimentação a ser adotado para as novilhas será aquele que, de forma mais econõmica permita que elas atinjam o peso par cobrição o mais cedo possível. O peso vivo para cobrição das novilhas varia de acordo com a raça, sendo o mínimo de: 340 kg para a raça Holandesa, 330 kg para a Pardo-Suiço, 230 kg para a Jersey, 320 kg para as mestiças Holandês x Zebu e    280 kg para a mestiças Jersey x Zebu.

Recria de novilhas em pastagens arborizadas

A recria de novilhas leiteiras em pastagens arborizadas tem se mostrado viável tecnicamente. A Tabela 1 mostra a taxa de lotação e os ganhos de peso de novilhas leiteiras mantidas em pastagem exclusiva de Brachiaria decumbens e na pastagem arborizada (modelo de sistema silvipastoril). Observa-se que, a taxa de lotação na pastagem arborizada foi mais elevada do que a da pastagem de Brachiaria decumbens e que, no geral, o ganho de peso foi elevado nas duas condições e ao longo de todo o ano, mas os animais da pastagem arborizada tiveram maior ganho de peso, principalmente na época da seca, provavelmente devido à diversidade e melhor qualidade da forragem.   

 

 Tabela 1 – Taxa de lotação (novilhas/ha) e ganho de peso vivo (g/animal/dia e kg/animal/ano) de novilhas leiteiras em pastagem arborizada e em pastagem exclusiva de B. decumbens

 

Tratamentos

Ganho de peso

Taxa de lotação

g/ha/dia

kg/animal/ano

Novilhas/ha

Chuvas

Seca

 

Chuvas

Seca

Pastagem arborizada

570a

428a

179,6

1,8

1,2

Pastagem exclusiva de B. decumbens

542a

306b

152,6

1,8

1,1

 

 

1 Médias seguidas por letras diferentes na mesma coluna diferem significativamente pelo teste   Newman-Keuls

Uma mistura mineral deve estar sempre à disposição dos animais. A suplementação volumosa na época seca pode ser feita com forragens verdes picadas, cana-de-açúcar adicionada com 1% de uréia, silagens ou fenos. Para o fornecimento de volumosos em cochos é necessário minimizar a competição por alimento entre os animais manejados em grupos, para isto, é importante propiciar aos animais área  de cocho suficiente, permitindo que todos tenham chance de se alimentar.  

O fornecimento de concentrado às novilhas é dependente da idade,  da qualidade do alimento volumoso utilizado e do plano de alimentação adotado. Em geral, até os seis meses é necessário o fornecimento de 1 a 2 kg de concentrado com 12% de proteína bruta e 61% de nutrientes digestíveis totais.

Recria em confinamento

Neste sistema, os alimentos são levados às novilhas que permanecem confinadas todo o tempo, sem acesso a pasto. Elas podem receber, no cocho, forrageira verde picada e/ou silagem e/ou feno. Uma mistura mineral deverá estar sempre à disposição, em cochos separados, independente do volumoso utilizado.

Ao se fornecer dietas à base de silagem de milho para novilhas, deve-se observar a necessidade de suplementação protéica, se não foi utilizada a uréia ou outra fonte de nitrogênio não protéico no momento da ensilagem. Às vezes, é necessário limitar o consumo da silagem para evitar que as novilhas fiquem obesas.

Um feno de excelente qualidade é, sem dúvida, o melhor alimento para as novilhas mantidas sob confinamento. Ele pode constituir-se no único alimento para esta categoria animal. A mistura em partes iguais (na base da matéria seca) de feno e silagem de milho pode ser considerada como o melhor alimento para esta categoria animal, quando em confinamento.

Também em sistemas de criação de novilhas confinadas, de raças especializadas para produção de leite, recomenda-se o fornecimento de concentrado durante toda a fase de recria. Tudo vai depender do ganho de peso desejado durante esta fase. É importante ter sempre em mente que os extremos, sub e superalimentação, devem ser evitados.

Água

As novilhas devem ter à sua disposição água fresca e limpa diariamente.

Monitore o crescimento das novilhas

O monitoramento do desenvolvimento das novilhas é através do acompanhamento do ganho de peso mensalmente. Dos 80-90 kg de peso vivo até a puberdade elas não devem ganhar mais do que 900 g por dia. Após a puberdade, ganhos superiores a este são admitidos, mas deve-se evitar que as novilhas fiquem obesas. O crescimento das novilhas pode ser feito através de pesagem ou pela condição corporal das mesmas. Numa escala de 1 a 5 (1 = magra e 5 = obesa), as novilhas devem apresentar escore igual a 3.

Registre em ficha individual os pesos e quaisquer problemas ocorridos com as novilhas.

Alimentação de vacas em lactação

Um sistema de alimentação para vacas em lactação, para ser implementado, é necessário considerar o nível de produção, o estágio da lactação, a idade da vaca, o consumo esperado de matéria seca, a condição corporal, tipos e valor nutritivo dos alimentos a serem utilizados.

O estágio da lactação afeta a produção e composição do leite, o consumo de alimentos e mudanças no peso vivo do animal.

Nas duas primeiras lactações da vida de uma vaca leiteira, deve-se fornecer alimentos em quantidades superiores àquelas que deveriam estar recebendo em função da produção de leite, pois estes animais ainda continuam em crescimento, com necessidades nutricionais bastante elevadas. Assim, recomenda-se que aos requerimentos de mantença sejam adicionados 20% a mais para novilhas de primeira cria e 10% para vacas de segunda cria.

Recomenda-se alimentar as vacas primíparas separadas das vacas mais velhas. Este procedimento evita a dominância, aumentando o consumo de matéria seca.

As vacas não devem parir nem excessivamente magras nem gordas. Vacas que ganham muito peso antes do parto apresentam apetite reduzido e menores produções de leite, e distúrbios metabólicos como cetose, fígado gorduroso e, deslocamento do abomaso além de baixa resistência aos agentes de doenças.

Um plano de alimentação para vacas em lactação deve considerar os três estádios da curva de lactação, pois, as exigências nutricionais dos animais, são distintas para cada um deles.

Alimentação no terço inicial da lactação

As vacas, nas primeiras semanas após o parto, não conseguem consumir alimentos em quantidades suficientes para sustentar a produção crescente de leite neste período, até atingir o pico, o que ocorre em torno de 5 a 7 semanas após o parto. O pico de consumo de alimentos só será atingido posteriormente, em torno de 9 a 10 semanas pós-parto. Por isso, é importante que recebam uma dieta que possa permitir a maior ingestão de nutrientes possível, evitando que percam muito peso e tenham sua vida reprodutiva comprometida.

Devem ser manejadas em pastagens de excelente qualidade e em quantidade suficiente para permitir alta ingestão de matéria seca. Para isto, o manejo dos pastos em rotação é prática recomendada.

Deve-se fornecer volumoso de boa qualidade com suplementação com concentrados e mistura mineral adequada. Vacas de alto potencial de produção devem apresentar um consumo de matéria seca equivalente a pelo menos 4% do seu peso vivo, no pico de consumo.

Vacas que são ordenhadas três vezes ao dia consomem 5 a 6% mais matéria seca do que se ordenhadas duas vezes ao dia.

Para vacas mantidas a pasto, durante o período de menor crescimento do pasto, há necessidade de suplementação com volumosos: capim-elefante verde picado, cana-de-açúcar adicionada de 1% de uréia, silagem, feno ou forrageiras de inverno.  Para vacas de alta produção leiteira ou animais confinados, forneça silagem de milho ou sorgo, à vontade.

Um regra prática para determinar a quantidade de volumoso a ser fornecida é monitorar a sobra ou o excesso que fica no cocho. Caso não haja sobras ou se sobrar menos do que 10% da quantidade total fornecida no dia anterior, aumente a quantidade de volumoso a ser fornecida. Caso haja muita sobra, reduza a quantidade.

Para cada dois quilogramas de leite produzidos, a vaca deve consumir pelo menos um quilograma de matéria seca. De outra forma, ela pode perder peso em excesso e ficar mais sujeita a problemas metabólicos.

Fornecimento de concentrado

O concentrado para vacas em lactação deve apresentar 18 a 22% de proteína bruta (PB) e acima de 70% de nutrientes digestíveis totais (NDT), na base de 1 kg para cada 2,5 kg de leite produzidos. Pode-se utilizar uma mistura simples à base de milho moído e farelo de soja ou de algodão, calcário e sal mineral ou dependendo da disponibilidade, soja em grão moída ou caroço de algodão. Algumas opções para formulação de concentrado são apresentadas na Instrução Técnica para o Produtor de Leite - Sistemas de Alimentação nº 40. Opções de concentrados para vacas em lactação.

Vacas de alta produção de leite manejadas a pasto ou em confinamento,  precisam ter ajustes em seu manejo e plano alimentar. Para vacas com produções diárias acima de 28-30 kg de leite, deve-se fornecer concentrados contendo fontes de proteína de baixa degradabilidade no rúmen, como farinha de peixe, farelo de algodão, soja em grão moída, tostada, etc.

Vacas com produções acima de 40 kg de leite por dia, além de uma fonte de gordura, como caroço de algodão, soja em grão moída ou sebo, devem receber gordura protegida (fonte comercial) para elevar o teor de gordura da dieta total para 7-8%. Essas vacas devem receber uma quantidade diária de gordura na dieta equivalente à quantidade de gordura produzida no leite. Instrução Técnica para o Produtor de Leite - Sistemas de Alimentação nº 47. Alimentação e manejo de vacas de alto potencial genético

Dieta completa

Dieta completa é uma mistura de volumosos (silagem, feno, capim verde picado) com concentrados (energéticos e protéicos), minerais e vitaminas. A mistura dos ingredientes é feita em vagão misturador próprio, contendo balança eletrônica para pesar os ingredientes. Muito usada em confinamento total, tem a vantagem de evitar que as vacas possam consumir uma quantidade muito grande de concentrado de uma única vez, o que pode causar problemas de acidose nos animais. Além disso recomenda-se a inclusão de 0,8 a 1% de bicarbonato de sódio e 0,5% de óxido de magnésio na dieta total, para evitar problemas com acidose.

O melhor teor de matéria seca da ração total está entre 50 e 75%. Rações mais secas ou mais úmidas podem limitar o consumo. Por isso, o teor de umidade da silagem deve ser monitorado semanalmente, se possível.

Normalmente, as vacas se alimentam após as ordenhas. Mantendo a dieta completa à disposição dos animais nesses períodos, pode-se conseguir aumento do consumo voluntário.

Para reduzir mão-de-obra na mistura de diferentes formulações para os grupos de vacas com diferentes produções médias, a tendência atual é de se formular uma dieta completa com alto teor energético e com nível de proteína não degradável que atenda o grupo de maior produção de leite. Os demais grupos, vacas no terço médio e vacas em final de lactação, naturalmente já controlariam o consumo, ingerindo menos matéria seca.

Para assegurar consumo máximo de forragem, principalmente na época mais quente do ano, deve-se garantir disponibilidade de alimentos ao longo do dia. Deve-se encher o cocho no final da tarde, para que os animais possam ter alimento fresco disponível durante a noite. Dessa forma as vacas podem consumir o alimento num horário de temperatura mais amena.

A relação concentrado/volumoso é maior para vacas de maior produção de leite. De uma forma mais generalizada, sugere-se, na tabela abaixo, as relações concentrado/volumoso.

Produção de Concentrado Volumoso

leite (kg/dia)           %                     %  

Até 14                   30-35               65-70           

14 a 23                    40                    60  

24 a 35                    45                    55  

36 a 45                  50-55               45-50           

Acima de 45         55-60               40-45           

Deve-se tomar o cuidado de retirar restos de alimentos mofados do cocho antes de fornecer nova alimentação.

Forneça mistura mineral

Para animais mantidos a pasto, o método mais prático de suplementar minerais é deixando a mistura (comprada ou preparada na própria fazenda) disponível em cocho coberto, à vontade. Instrução Técnica para o Produtor de Leite - Sistemas de Alimentação nº 41. Suplementos Minerais para Gado de Leite e Senar - Embrapa: Manual Técnico: Trabalhador na Bovinocultura de Leite - página 161.

Para vacas em lactação e animais que são mantidos em confinamento, é mais seguro e garantido, incluir a mistura mineral no concentrado ou na dieta completa.

Forneça água limpa e de boa qualidade

Vacas em lactação requerem uma quantidade muito grande de água, uma vez que o leite é composto de 87 a 88% de água. Ela deve estar à disposição dos animais, à vontade e próxima dos cochos. Normalmente as vacas consomem 8,5 litros de água para cada litro de leite produzido. Quando a temperatura ambiente se eleva, nos meses de verão, o consumo de água aumenta substancialmente.

 Alimentação no terço médio da lactação

Neste período, as vacas já recuperaram parte das reservas corporais gastas no início da lactação e já deveriam estar enxertadas. A produção de leite começa a cair e as vacas devem continuar a ganhar peso, preparando sua condição corporal para o próximo parto.

O fornecimento de concentrado deve ser feito com 18 a 20% de proteína bruta, na proporção de 1 kg para cada 3 kg de leite produzidos acima de 5 kg, na época das chuvas, e a mesma relação acima de 3 kg iniciais de leite produzido, durante o período seco do ano, conforme tabela abaixo.

Produção de        Quantidade Concentrado (kg/vaca/dia)

leite (kg/vaca/dia)     Época das “águas”          Época seca 

  3 a 5                         -                         1 

  5 a 8                        1                        2 

  8 a 11                      2                        3 

11 a 14                      3                        4 

14 a 17                      4                        5 

17 a 20                      5                        6 

Alimentação no terço final da lactação

Neste período as vacas devem recuperar suas reservas corporais e a produção de leite já é bem menor que nos períodos anteriores. Deve-se alimentar as vacas para evitar que ganhem peso em excesso, mas que tenham alimento suficiente, principalmente na época seca do ano, para repor as reservas corporais perdidas no início da lactação. É o período em que ocorre a secagem do leite, encerrando-se a lactação atual e o início da preparação para o próximo parto e lactação subsequente. Instrução Técnica para o Produtor de Leite - Qualidade do Leite e Segurança Alimentar nº 3. Método de secagem de vacas .

Alimentação no período seco

É o período compreendido entre a secagem e o próximo parto. Em rebanhos bem manejados sua duração é de 60 dias. É fundamental para que haja transferência de nutrientes para desenvolvimento do feto, que é acentuado nos últimos 60 - 90 dias que precedem o parto, a glândula mamária regenere os tecidos secretores de leite e acumule grandes quantidades de anticorpos,  proporcionando maior qualidade e produção de colostro, essencial para a sobrevivência da cria recém-nascida.

O suprimento de proteína, energia, minerais e vitaminas é muito importante, mas deve-se evitar que a vaca ganhe muito peso nesta fase, para reduzir a incidência de problemas no parto e durante a fase inicial da lactação. Isso se deve, principalmente, à redução na ingestão de alimentos pós-parto, o que normalmente se observa com vacas que parem gordas.

Nas duas semanas que antecedem ao parto deve-se iniciar o fornecimento de pequenas quantidades do concentrado formulado para as vacas em lactação, para que se adaptem à dieta que receberão após o parto. As quantidades a serem fornecidas variam de 0,5 a 1% do peso vivo do animal, dependendo da sua condição corporal.

O teor de cálcio da dieta de vacas no final da gestação deve ser reduzido para evitar problemas com febre do leite (Febre do leite - EMBRAPA - CNPGL. Documentos, 67) após o parto. A mistura mineral (com nível baixo de cálcio) deve estar disponível, à vontade, em cocho coberto.

Alimentação de Touros

Os touros devem receber volumosos de boa qualidade, além de 2 kg de concentrado com 65% de NDT e cerca de 18% de proteína. O concentrado fornecido às vacas secas ou novilhas pode ser usado. Acesso a piquete para exercício, havendo disponibilidade adequada de  pasto de boa qualidade, melhor. Limitar o fornecimento de feno a 7 a 10 kg por dia e, se usar a silagem de milho ou sorgo fornecer no máximo, 7 kg/dia.

Água de boa qualidade e mistura mineral devem estar sempre à disposição do touro.

 

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